Crescimento e limitações para adoção de IA no setor empresarial
O uso da inteligência artificial cresce rapidamente no mundo empresarial, trazendo avanços significativos na eficiência e na automação de processos. Empresas estão adotando tecnologias de inteligência artificial (IA) para otimizar operações, melhorar a tomada de decisões e oferecer experiências mais personalizadas aos clientes. Apesar das expectativas e entusiasmo em torno da IA, sua adoção ainda é limitada e concentrada em grandes empresas, especialmente nos setores de tecnologia da informação e serviços financeiros. Essa panorama é analisado no relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), “The Adoption of Artificial Intelligence in Firms: New Evidence for Policymaking”, que examina o estágio atual da adoção da IA em empresas de diversos setores e países. De acordo com o estudo, as empresas de menor porte, embora também reconheçam o potencial da IA, enfrentam uma série de obstáculos que dificultam a incorporação dessas tecnologias, como restrições orçamentárias, carência de dados organizados, ausência de infraestrutura adequada e escassez de mão de obra qualificada. A adoção ou rejeição da IA no ambiente empresarial ainda está relacionada a outras fatores: (i) baixa qualidade ou disponibilidade de dados internos; (ii) dificuldade em contratar profissionais com competências específicas em ciência de dados e aprendizagem de máquinas (machine learning); (iii) falta de clareza sobre como aplicar essas tecnologias. Influência do setor público O setor público também exerce grande influência nesse processo de adoção e desenvolvimento da inteligência artificial. Além de seu papel tradicional na regulação e no estabelecimento de diretrizes para o uso ético e responsável da IA, o Estado tem potencial para estimular, facilitar e acelerar o desenvolvimento e a adoção de tecnologias. As empresas participantes do estudo da OCDE destacaram que o principal apoio esperado dos governos está na formação e qualificação profissional especializado em IA, especialmente em áreas aplicadas ao contexto empresarial, financiamentos e programas de apoio à pesquisa aplicada e iniciativas de infraestrutura digital. No Brasil, a IA é utilizada principalmente em funções de marketing, atendimento ao cliente e análise de dados, com foco crescente na automação de processos internos. No entanto, desafios semelhantes aparecem: falta de profissionais qualificados, recursos financeiros escassos e ausência de cultura de dados. A OCDE aponta caminhos para ampliação e superação de barreiras na adoção de ferramentas de IA por meio de ações coordenadas envolvendo iniciativas coordenadas entre governo, setor privado e instituições de ensino. Entre as propostas estão: (i) incentivo a parcerias público-privadas para desenvolvimento de projetos-piloto; (ii) financiamento de pesquisas aplicadas; (iii) estímulo à disseminação de boas práticas empresariais no uso da IA; (iv) padronizar metodologias de avaliação e acompanhamento de IA nos países. Riscos e gestão da IA Assim como qualquer outra tecnologia, a utilização da IA também pode trazer riscos para a sociedade e empresas que a utilizam, como a violação à privacidade com o uso disseminado de tecnologias de vigilância, dificuldade de compreensão dos critérios de tomada de decisões dos algoritmos e até mesmo redução de empregos em razão da automatização de diferentes atividades. Qualquer implantação ou integração de IA deve envolver uma avaliação prévia de potenciais desvantagens e riscos, tanto de perspectivas legais quanto éticas. Os sistemas, plataformas e software baseados em IA podem utilizar dados pessoais, financeiros, de segredo industrial, dentre outros tipos. Portanto, é necessário avaliar se a implementação da IA é compatível com a legislação vigente e as obrigações contratuais que a organização está submetida. Após a implementação, os cuidados precisam ser redobrados, a organização precisa realizar monitoramento contínuo dos seus resultados, efetividades e impacto legal. Este artigo foi preparado com propósito meramente informativo; não pode ser tratado como aconselhamento legal e as informações nele contidas não devem ser seguidas sem orientação profissional.
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